Henricão, eternamente Gigante

  • 26 de setembro de 2017
  • Mário Freitas
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Com 84 anos recém completados em 30 de agosto, Henrique dos Santos, o ‘Henricão’, zagueiro de área campeão brasileiro de 1959 pelo Bahia, mora no Rio, em companhia do filho Carlos Henrique.

 

Carioca do Meier, defendeu o tricolor baiano por quase 10 anos, fazendo 405 jogos e sempre como titular. Revelado pela Associação Atlética Portuguesa (RJ) em 1956, chegou a Salvador no ano seguinte, juntamente com o volante Joe, trazido pelo técnico Lourival Lorenzi, o ‘Mariposa’.

 

Com quase dois metros, não era um primor de técnica, mas tinha garra, valentia e dedicação como poucos.

 

Além do título da I Taça Brasil, o ‘Gigante de Ébano’ [apelido cunhado pelo radialista baiano Carlos Lima] foi vice brasileiro em 1961 e 1963 e campeão estadual  de 1958 a 1962, no primeiro penta da história do clube.

 

Participou ainda das excursões do Bahia ao exterior em 1957 e 1960, dos jogos pela Libertadores da América em 1960 e 1964 e do Torneio Internacional de New York, também em 1964.

 

Vestiu a camisa amarelinha da Seleção Brasileira em 1957, num time formado por jogadores que atuavam no futebol baiano e treinado por Pedrinho Rodrigues, que disputou a Taça O’Higgins, contra o Chile.

 

Além de Carlos Henrique, no Rio, Henricão tem mais três filhos de um outro relacionamento: Henrique Luiz e Humberto Luiz, morando em Salvador, e Maria Helena, em São Paulo.

 

Mesmo com problemas de Alzheimer e com parte da perna esquerda amputada [decorrente de um acidente de trabalho no pé, numa fábrica em que trabalhava no Rio, após deixar os gramados], o ‘Gigante’, assim como nos tempos de jogador, não se deixou abater e concedeu esta entrevista à neta Maynah Faria, 24 anos, falando um pouco de sua vida, para a nova geração de torcedores do Bahia.

 

Vale a pena acompanhar a entrevista com este ídolo tricolor. 

                                                                                             (Antônio Matos_jornalista)

 

 

 

Maynah Faria (MF) – Vô, fala o seu nome completo, e me diz se você é carioca. Se você for carioca, de qual bairro que você é?

 

Henricão (H) – Eu sou carioca do bairro do Méier, ali no Cachambi.

 

MF – E agora, mais importante, se você tivesse hoje que mandar uma mensagem para os torcedores do Bahia, que toda hora perguntam muito sobre você na internet, o que é que você tem pra falar pra eles, que são torcedores novos, e, também, os antigos, mas que te admiram até hoje, que querem saber de você… o que você tem pra dizer pra eles?

 

H – Eu tenho que dizer que o tempo vai chegando, você vai chegando a uma certa idade, graças a Deus, com saúde, dizer que eu parei de uma profissão, então consegui um emprego, trabalhei, me aposentei, e agora…

 

MF – Tá tranquilo, né, só assistindo na televisão, né Vô?

 

H – E agora só assistir. O Bahia vai jogar, eu vou assistir, tem alguma notícia no jornal, eu vou ver. Então… e tenho coisas pra contar. Desfrutei bastante, né? Viajei muito por esse Brasil de ponta e ponta. Viajei pela Europa, não sei quantas vezes, então, só tenho que agradecer ao futebol, graças a Deus, e amizades no Brasil e fora do Brasil, muitas, muitas, muitas.

 

MF – Quando você foi ao Fazendão, você visitou o Fazendão, lá na Bahia, aquele campo do… aquele campo do Bahia. Quando você foi lá, nas fotos você já estava com uma muleta. Isso é um problema pra você, falar sobre isso?

 

H – Não, não.

 

MF – Então, explica o que foi que houve contigo, porque  que você estava com as muletas.

 

H – Trabalhando, né?

 

MF – Aonde que você trabalhava?

 

H – Sempre trabalhei, lá na fábrica, numa metalúrgica, espetei um ferro enferrujado no pé, deu um negócio tipo “gangrena”.

 

MF – Um problema de circulação…

 

H – Eu tinha problema de circulação de sangue. Tive que amputar a perna, e continuei vivendo, continuo vivendo.

 

MF – E bem, né Vô?

 

H – Graças a Deus!

 

MF – Entendi.

 

H – Glórias, filhos, porque no futebol, você tem que ter duas coisas: glórias onde, e dar sorte de ter transição de um time pra o outro, pra você ganhar bastante dinheiro. Você fica muito tempo num clube, então, fica como funcionário, então funcionário já não… Mas, graças a Deus, não fiquei pedindo nada a ninguém. Se fosse preciso, pediria, também. Mas, graças a Deus, estou bem, me vi a trabalhar, me aposentei, sou aposentado, tenho uma aposentadoria razoável, então está dando pra viver, graças a Deus.

Uma coisa que eu vim saber em casa, muita gente dizia assim: “Ah, parou de jogar futebol, quer viver do nome, em porta de botequim”. Não, eu adoro um botequim, mas parei um pouco. A pessoa diz assim: “Ah, tá lá enchendo a cara” (risos). Você tem um nome conhecido no Brasil todo, né?

 

MF – Quando você voltou pra Bahia, como é que era lá?

 

H – Uma festa, uma festa.

 

MF – Uma festa. Chegava em qualquer lugar e o povo já te reconhecia logo, né?

 

H – Uma festa. Porque o seguinte: eu na Bahia, fui campeão,fui bi, fui tri, fui tetra. Quando a gente se encontra, a gente chora. Se abraça e se chora, e vê nosso passado no futebol, muita glória. Nós fomos Campeão, bi, tri, tetra, penta, Campeão do Norte, Campeão do Norte/Nordeste, 1º Campeão Brasileiro, tudo junto, então, a gente, passamos muitos dias, mais de dez anos juntos, aquela turma. Então, agora, a gente, cada um pra seu lado, Graças a Deus, todo mundo bem. Tem essa galera toda. Só tem uma coisa, uma pessoa que guarda o que eu não tenho… é uma meninazinha assim, meio assim… parece que é minha neta, não sei…

 

MF – Risos… eu guardo tudo, tem algumas comigo.

 

H – Tem medalhas de campeão, tem medalhas de tri, de penta, de tetra.

 

MF – Tem algumas comigo

 

H – Campeão do Norte, Campeão do Norte/Nordese

 

MF – Antes da Portuguesa, você defendeu o time do Madureira? Você jogava no Madureira?

 

H – Não. Peguei time da 2ª divisão, que é o Esporte Clube Colombo.

 

MF – Esse foi o primeiro time que você jogou?

 

H – Não era oficializado não.

 

MF – Entendi. E depois, você foi logo pra Portuguesa?

 

H – Pra Portuguesa.

 

MF – Tá bom

 

H – Depois, pra o Esporte Clube Bahia, 1º Campeão Brasileiro, Recorde Brasileiro em partidas invictas, Campeão dos Campeões do Norte/Nordeste, 1º Campeão dos Campeões Brasileiro.

 

MF – Beleza. O motivo de você ter saído do Bahia foi um desentendimento com o Osório Vilas Boas?

 

H – Não. Eu enjoei e quis parar. Ai, parei.

 

MF – Enjoou de jogar futebol? Foi esse o motivo pelo qual você parou de jogar bola?

 

H – Parei. Fui Campeão, bi, tri, tetra, penta, Campeão do Norte, Campeão do Note/Nordeste, 1º Campeão Brasileiro, Recorde Brasileiro de partidas invictas. Enjoei. Queria ter outra vida mais…

 

MF – Tranquila.

 

H – É, futebol é tranquilo, mas, é muito preso. Então, parei, graças a Deus, bem. Graças a Deus, bem com todo mundo, o mundo todo.

 

MF – Se não ia dominar o mundo, né Vô?

 

H – Hein?

 

MF – Se você não parasse, ia dominar o mundo, né?

 

H – Então, graças a Deus, parei bem. Graças a Deus, com saúde, sem machucar, sem nada.

 

MF – Beleza.

 

H – Um esporte se pratica da cabeça ao pé. Do dedo do pé à cabeça. Você está sempre se movimentando, sempre pensando, sempre raciocinando, você está sempre bem, né? E você tem boas amizades no mundo todo. Eu tive tempo de estudar pouco, não sou analfabeto. Mas, eu já corri quase que uma parte do… da Europa.

 

MF – Pra onde você foi na Europa? Fala alguns lugares.

 

H – Atravessei o Atlântico, e conheci bastante lugar,  e já fui três vezes pra Europa, então, é pouco.

 

MF – Alemanha, França, …

 

H – Alemanha, França, Inglaterra, Itália, Suíça, Suécia. Tive em Moscou duas vezes, né?

 

MF – E aquele lugar lá que você falou?

 

H – Jerusalém.

 

MF – Jerusalém.

 

H – Jerusalém, Turquia, eu já viajei muito, graças a Deus. Então, gozei bastante, bastante, bastante, eu só tenho que agradecer ao tempo que joguei futebol. Conheci o Brasil quase que de ponta a ponta.

Tempo de estudar eu tive pouco, que era trabalho, só trabalho. Então, tive um primário bem apurado, graças a Deus, e estou aí, vivendo. Parei, bem, graças a Deus. Bem com a família, bem com todos. Posso andar na rua de cabeça erguida, então, graças a Deus.

 

MF – Você sabe por que que seus amigos pararam de jogar bola, também?

 

H – Sei: uns foram contusão, e outros vai chegando a idade e tem que parar mesmo, se não cai no ridículo.

 

MF – Risos.

 

H – Sou, não sei se falo sou ou se fui, Campeão, bi, tri, tetra, penta, Campeão do Norte, tudo jogando, Campeão do Norte/Nordeste, Campeão dos Campeões Brasileiro, 1º Campeão Brasileiro, então não tem nada que reclamar, né?

 

MF – É. Tá, me fala nesses jogadores, Beto, Ari, Vicente, Mário, você teve contato com eles, depois que você encerrou a carreira?

 

H – Sempre fim de semana, a gente tinha uma peladinha pra jogar. A gente se reunia, depois parava. Se reunia, depois parava. Agora, cada qual está pra seu lado. Só se vê uma vez ou outra, a gente se encontra ou telefona um pra o outro. E aí com tá, tá tudo bem? Graças a Deus, todo mundo bem.

 

MF – Entendi. Essa era a atividade de vocês? Vocês jogavam bola, mas saiam pra beber? Porque o futebol naquela época não era muito assim, não podia beber…

 

H – Fazia reuniões. Muitas reuniões, como até hoje.

 

MF – Eles moravam onde, pelo Rio?  Perto de você?

 

H – Não, moravam diferente um do outro. Um morava até em Campos dos Goitacazes, outro morava em Copacabana. Quem morava mais longe era eu, que morava no Méier.

 

MF – Risos. Tá bom.

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