O mar não está para amadores

  • 26 de novembro de 2017
  • Mário Freitas
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Assim como na vida, numa campanha política quem planeja tem futuro e quem não o faz está sempre à mercê da sorte. Sendo assim, é impressionante como a maioria dos políticos, eleição após eleição, continuam com comportamento de amadores.

 

E não percebem que a atividade política exige cada dia mais profissionalismo.

 

Ganhar uma eleição não significa fazer pré-campanha e campanha somente seis meses ou noventa dias antes do pleito. Logo no day after de uma eleição deve ser dado seguimento ao processo de interação entre o político e o eleitorado.

 

Afinal, campanha política não é como Copa do Mundo ou Olimpíadas, que acontecem somente de quatro em quatro anos. O contato permanente com o cidadão deve ser prioritário; exige compromisso; sacrifício pessoal e é necessário que seja permanente.

 

Muitas pessoas, inclusive, dizem que políticos não trabalham. Mas muitos políticos que têm permanecido, ou seja, com vida longa no Poder e/ou com mandatos parlamentares em sequência, trabalham de domingo a domingo e estão sempre presentes nas comunidades ouvindo e lutando por seus anseios.
Afinal, confiança exige tempo e sem esta premissa de um “casamento duradouro” com o eleitor não é fácil angariar simpatias para um projeto.

 

Além de suas demandas, como os serviços públicos necessários para a sua comunidade, o cidadão tem um foco também no relacionamento com um político: a atenção. Afinal, a atenção é um dos pilares da perpetuação dos relacionamentos duradouros entre os homens.

 

Neste contexto, as redes digitais são grandes facilitadoras para a fidelização de uma união entre o político e o eleitor. Com esta aproximação, alicerçada por um projeto web realizado de forma profissional, o candidato está sempre presente no cotidiano do eleitor.

 

E tanto nas redes digitais como no corpo-a-corpo ou nas diversas formas de link entre o candidato e o cidadão, quem faz a grande diferença é o multiplicador.

 

Na maioria dos casos, ganhando ou perdendo uma eleição, o político deixa de ter contato, ao menos momentaneamente, com suas bases, como os líderes comunitários, por exemplo.
Mas este vínculo precisa ser perene.

 

A receita do bolo, em tese, é simples: para fazer dez mil votos, o candidato não terá sucesso se for correr atrás, voto a voto, de 10.000 eleitores.  Mas ele terá o caminho do sucesso nas urnas se conquistar e fidelizar duzentos líderes que consigam cinquenta votos cada um.

 

E aí faço parênteses para o fator dinheiro. Além de ser ilegal a oferta de benefícios monetários em troca de votos, um eleitor poderá ficar interessado num favor pessoal quando o candidato não apresenta projetos. Se ele for seduzido pelas propostas e se identificar com o candidato, “vai dar liga”, como dizem os jovens numa relação amorosa.

 

E para os que estão sem mandato, mas querem continuar no jogo, e até mesmo para os detentores de mandatos, podemos avaliar que cerca de 15%  dos gestores deixam saudade; 30% são esquecidos e 55% são lembrados pela incompetência, incoerência ou decepção.

 

Portanto, é bom lembrar aos gestores ou parlamentares: como eles estão construindo ou não o seu nome para a história e posteridade?

 

Obviamente, a meta é deixar saudades e sendo assim ele será sempre uma esperança. E é este combustível, a esperança, que move o eleitor.

 

Mas em qual público focar? Cerca de 5% dos eleitores são adversários ferrenhos do candidato; 15% seus defensores potenciais (os chamados amigos) e 80% são indiferentes. Portanto, há um grande potencial de conquista.

 

Esta é a notícia alvissareira.

 

Mas como o mar não está para peixe, em qualquer atividade neste país, seja empresarial ou política, os amadores serão tragados pela maré.

 

Que venha, então, 2018!

 

 

Foto: Acervo Pessoal

 

 

* Robson Wagner é diretor-executivo da W4 Comunicação

Texto reproduzido do site BahiaNoticias.com.br

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