Um Estanciano que não sai da memória

  • 10 de junho de 2020
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No próximo 14 de junho, o Estanciano Esporte Clube, o ‘Canarinho do Piauitinga’, completará 64 anos, com quase nada a comemorar, nenhum título estadual, na segunda divisão, só o sonho do torcedor por dias melhores, a exemplo, dos que ocorreram nos anos 80. Que futebol lindo era jogado com um ataque do trio Lauro, China e Horácio, sob o comando do professor Jaime de Souza Lima, um gigante na beira do gramado.

Dois grandes momentos assim o torcedor do Estanciano viveu bem pertinho do título estadual: um comandado pelo técnico Renato Silva na década de 80, com um vice-campeonato estadual, em 1983, o mais doloroso para o torcedor canarinho, e em 2015, com o ex-jogador Sidney, o clube chegou a outra final e não tinha, realmente, um time para ser campeão, apesar da boa campanha.

Quantos anos se passarão novamente para que o torcedor volte a ver seu time numa final ou mesmo conquistar o tão sonhado título ? Com a atual estrutura, nunca! Infelizmente.

Vamos então a lembranças, melhor lembrar do excepcional time do início da década de 80. Sem comparativo nos gramados, mas o sentimento, pelo menos o meu, é o mesmo: aquele time que perdeu o título para o Confiança no Batistão (com alguns lances questionáveis) deixou a mesma sensação do Mundial que a Seleção Brasileira não chegara nem a final, sendo interrompida pela Itália, um ano antes.
Ali, ainda havia uma motivação maior para o torcedor, a inauguração do Francão, que lotava a cada quarta-feira e domingo. Quantas aulas foram ‘filadas’ para assistir estes jogos empolgantes.

Tenho este sentimento que aquele ‘Canarinho’ formado pelos jogadores Nego, Almeida, Bodi , Lima e Amaro; Luís. Carlos, Neguinho e Misso.Lauro, China e Horácio e dirigido pelo técnico Jaime de Souza Lima.

Naturalmente que na história do clube têm Moscou (cresci vendo este centroavante), o goleiro Dimas, o veloz Didi e muitos outros que ficaram na memória dos torcedores.

Vou abrir um parênteses neste texto em homenagem ao Estanciano, para lembrar o Santa Cruz, o ‘Azulão do Piauitinga’ (este pelo visto acabou) e creio que no futebol, sem a rivalidade de um Santa Cruz x Estanciano, um dos maiores clássicos no futebol do interior do Estado. Mesmo praticamente tendo posto ponto final na história do futebol, o Santa Cruz carrega na história importantes títulos, como um pentacampeoanto amador ou a vitória sobre o nosso ‘Canarinho’ na inauguração do Estádio Augusto Franco, no dia 5 de março de 1983, numa das mais belas festas do futebol estanciano e com um gol do artilheiro Bela.

Fechando parênteses, voltando ao Estanciano, que disputou Copa do Nordeste, Copa do Brasil há quase cinco anos, apesar de um fiasco, pode-se dizer um feito histórico. O ‘Canarinho’ no mapa do futebol brasileiro. Mas dali para cá tem sido penúria para o torcedor, que, no último campeonato, perdeu o interesse. Bons tempos aqueles que o domingo era para ir às praias do Saco ou Abaís cedo e voltar até o início da tarde e se preparar para ir ao Francão, com a certeza de uma bela apresentação daquele time que jogava por música.

Como sempre, vamos alimentar a esperança. Só Nossa Senhora de Guadalupe e Senhor do Bonfim se compadecendo da torcida canarinha, para reverter este infortúnio no clube, que já foi uma força do futebol estadual.

Infelizmente, de forma real, o que desponta no horizonte não é esperança de dias melhores, porque o Estanciano nunca teve dirigentes de verdade, sempre foi um time de donos. Na minha visão, só há uma salvação para ele: tornar-se um clube empresa com alguém que o faça com profissionalismo.

João Augusto Freitas

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