Uma inesquecível noite num barzinho de Copacabana: aplausos e vaias

  • 14 de agosto de 2017
  • Mário Freitas
  • Baú do Marão
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Este fato aconteceu na década de 90. Eu e o meu amigo, Fernando Cabus, comentarista da Rádio Excelsior, fomos ao Rio de Janeiro para transmitir um jogo entre Flamengo e Vitória, pelo Campeonato Brasileiro da série A. Já tinhamos feito um jogo em São Paulo e chegamos ao Rio na sexta-feira. À noite, decidimos dar uma voltinha por Copacabana e acabamos parando num barzinho da inesquecível "cidade maravilhosa".

De repente, notamos que numa mesa do estabelecimento estavam reunidos cantores e artistas da velha guarda, para comemorar o aniversário de um deles. Como no local tinha música ao vivo, Francisco Carlos e Emilinha Borba deram uma "canja". Fantástico. Show de bola. Eu, então, falei para o Fernando.

– Amigo, vou pedir o microfone para falar. Vou elogiar esssa galera.

– Beleza. Vá lá. Jogue duro.

– Mas Fernandão, você sabe que eu não gosto de falar em público.   

– Nada, rapaz. Todos vão gostar.

E falar de público, realmente, não gosto, a não ser que esteja cobrindo algum evento com o microfone na mão. Mas tomei coragem e fui na pilha do Fernandão. Chamei o gerente, me identifiquei e ele anunciou que eu iria falar.  Subí no palco e soltei o verbo.

– Meus amigos, minhas amigas, boa noite. Queria dizer que neste momento estou vivendo uma das maiores emoções da minha carreira. Chego de repente, neste local, e me deparo, ao lado do meu colega e amigo Fernando Cabus, com estes monstros sagrados da música popular brasileira que encantam platéias por onde passam. E saibam que já viajei muito por este Brasil, e mundo afora.

A galera que lotava o bar me aplaudiu. Imaginem a minha cara de pau. No final, pensei, vou colocar lenha na fogueira.

– Para encerrar só queria dizer que estou mais motivado ainda para a minha transmissão de domingo no Maracanã. Mas que me perdoem os cariocas: vou narrar um belo triunfo do Vitória sobre o Flamengo.

Caramba. Aí, a mesma galera que me aplaudiu, me aplicou uma sonora vaia. Mas já imaginava, em função da força da torcida do Flamengo. E voltei para a mesa onde estava o amigão, Cabus. 

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