Final da década de 60, estava fazendo o segundo ano (ou terceiro semestre) na Faculdade de Jornalismo da Universidade Federal da Bahia. Combinei com alguns colegas e decidimos fazer um jogo de futebol no antigo campo do Vale do Canela entre veteranos e calouros. Tudo acertado, conseguimos a liberação do campo e marcamos a partida.
Lembro que no meu time, o dos veteranos, jogavam Gilson Nei (Migué), Carlos Alberto, Euclides, que depois se tornou delegado de Polícia no interior. No time dos calouros, lembro bem do goleiro, que era o Sérgio Toniello, comentarista de rádio e um dos grandes jornalistas da Bahia, tendo trabalhado em vários jornais de Salvador.
Como ninguém se preocupou com a arbitragem, tomei a decisão de convidar o saudoso Renato Teófilo Bahia, que era o conhecido massagista do Vitória, Gaguinho. O jogo seria equilibrado. E a minha indicação do juiz foi apenas uma lembrança de alguém que conhecia de futebol para dirigir a partida.
Chega o dia, bola rola, jogo equilibrado e o primeiro tempo terminou empatado em 0 a 0. Eu jogando de ponta-esquerda, estava até fazendo uma boa apresentação. De repente, numa falha da nossa defesa, por volta dos 10 minutos (já no segundo tempo) o time dos calouros faz 1 a 0.
Aí não tinha outra saída, partimos para cima tentando o gol de empate, e nada. Pensei: perder para os calouros vai ser uma tremenda de uma gozação. Resolvi apelar para a catimba. Passei junto do Gaguinho e falei:
– Gago, não dá pra perder esse jogo. Dê um jeito aí, irmão.
– Sai daqui, seo Mário Freitas. Vai jogar sua bola.
E depois falou bem baixinho, só pra mim:
– Cai na área e deixa comigo.
Não deu outra. Lançaram uma bola na esquerda, eu dominei e quando preparei o chute veio um zagueiro e se bateu comigo. Caí na hora. Gaguinho não pensou duas vezes: apontou para a marca do pênalti. O time dos calouros se revoltou. Não foi pênalti, não é possível. Confusão criada e depois de alguns minutos a decisão foi mantida.
Ai, vem o grito da galera. “Bate o Gilson Migué”. Eu disse, nada.
– Deixa comigo. Quem vai bater sou eu.
Nisso, já tínhamos mais de 45 minutos. Quer dizer, o tempo regulamentar já estava esgotado. Ajeito a bola, olho para o goleiro Sérgio Tonielo e toco de esquerda. A bola passa raspando a trave direita, mas para fora. O meu comentarista (naquele dia goleiro) nem se mexeu. E o resultado final é que tomamos um a zero.
Até hoje, eu não sei foi pênalti, mesmo. Na época não existia o VAR. Só sei que bati bem, tirei do goleiro, mas tirei demais e a bola raspou a trave e saiu.
E, coincidentemente, naquele dia à noite jogaram Bahia e Vasco, na Fonte Nova, e o super craque argentino, Sanfelipo, também perdeu um pênalti para o Bahia.
E eis a questão: pênalti bem batido vai para fora? Fica a pergunta no ar.
Marão Freitas
















