Na final da década de 80, trabalhava na Rádio Cultura da Bahia (AM 1140). O Campeonato Intermunicipal estava em sua reta final. E num domingo tinha um jogo programado para a cidade de Paulo Afonso, entre a seleção local e a seleção de Santo Amaro. Chamei o meu companheiro e amigo, Renato Lavigne e disse:
– Vamos transmitir esse jogo no domingo. É uma viagem longa.
Na hora, o “brother” topou. Tomamos as providências, pedimos a linha (na época, tínhamos de pedir para a então Telebahia) e agora pensamos como conseguir um carro para fazer a viagem.
Tive uma ideia. Fui falar com o presidente da Federação Bahiana de Futebol, na oportunidade, o meu amigo Marcos Andrade. Não confiava muito no meu Monza, e Renato também não levava muita fé no carro dele.
Marcos Andrade me disse que conseguiria um carro para eu ir a Paulo Afonso, mas eu precisava levar o delegado financeiro da partida.
– Sem problemas, Marcos. Fechado.
Pronto, tudo definido. A viagem foi na sexta-feira e só podemos sair daqui por volta das 17 horas e 30 minutos, porque a Marta Elza, que seria a delegada financeira do jogo, trabalhava em um banco e só podia sair do trabalho neste horário.
Peguei a BR 324, passei por Feira de Santana, cheguei em Serrinha e entrei numa estrada para Cipó. Passei por Biritinga e já por volta das 23 horas da própria sexta-feira, chegamos no município de Caldas de Cipó.
Nos dirigimos ao Hotel Caldas de Cipó, que no passado foi um dos principais do interior da Bahia. Chegou a funcionar até um cassino no local e a cidade era famosa pelas suas águas termais.
Quando chegamos por lá, pedimos dois apartamentos. Um para mim e Lavine e o outro para a funcionária da FBF. Nisso o recepcionista fala.
-Só tem um problema. Não temos água. Houve um problema e a cidade toda está com problema de abastecimento. E não adianta vocês procurarem outro hotel, pois vão encontrar o mesmo problema.
Eu e o Lavine pensamos em seguir direto para Paulo Afonso, mas fomos desaconselhados porque a estrada era muito ruim (na época) e ocorriam muitos assaltos. Imagine, decidimos ficar e nem banho de balde o hotel nos conseguiu.
Pegamos as chaves e fomos para o apartamento. Quando abro a porta do nosso, imagine o drama: vejo uma barata enorme. Nossa, daquelas criadas com “Toddy. E agora ? Fazer o que ? Chamamos o cara da recepção e ele nos mudou de apartamento.
Dormimos (sujos, mesmo) e no dia seguinte continuamos a nossa viagem para Paulo Afonso. Hoje a estrada está filé, mas na época era só buracos. Mas chegamos em paz.
No domingo, transmitimos o jogo (vitória da seleção local por 1 a 0), voltamos, à noite, seguindo o ônibus da delegação de Santo Amaro, por medida de segurança, outra vez para Cipó. Desta vez já tinha água no hotel e na segunda-feira, pela manhã, estávamos de novo em Salvador.
Esta foi mais uma histórias que aconteceram comigo neste fantástico mundo da bola.
Marão Freitas
















