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A primeira resenha ao lado do consagrado José Ataíde

Em 1969 estava dando os meus primeiros passos no jornalismo esportivo, depois de ter sido contratado pelo Jornal da Bahia. A sede era na Barroquinha, e anos mais tarde passou a funcionar na rua Djalma Dutra, no mesmo prédio da Tribuna da Bahia, que continua firme e forte com os nossos amigos, Paulo Sampaio, Walter Pinheiro, Luis Brito, Flávio Gomes e outros.

Na equipe esportiva do jornal trabalhávamos eu, Carlos Libório, e os saudosos Rafael Pastore Neto, José Carlos Mesquita e Luis Carlos Alcoforado. Este tinha recebido um convite do consagrado José Ataíde, responsável pelo departamento esportivo da Rádio Cruzeiro (AM 590), para redigir a resenha das 18 horas.

Mas o Alcoforado tinha outras atividades e não pode aceitar. Ele então perguntou se eu topava trabalhar na Rádio Cruzeiro. O salário era 150 (não lembro a moeda da época). Topei na hora. Ele ligou para o Zé Ataíde e disse que não podia aceitar o convite, mas estava me indicando, pois além de trabalhar no Jornal da Bahia, eu fazia Jornalismo na Universidade Federal da Bahia.

Pronto. A sede da Rádio Cruzeiro era na Ladeira da Praça, em cima de uma filial das Farmácias Santana. E eu fui procurar esta lenda viva do rádio baiano, JOSE DE ATAÍDE COSTA, a quem até hoje continuo rendendo as minhas homenagens. Ele me recebeu e perguntou:

– Sabe escrever garoto? Gosta de futebol?

– Sei seo Zé Ataíde. Além de trabalhar no Jornal da Bahia, estudo jornalismo. E gosto muito de futebol.

– Então, venha logo amanhã. Você vai redigir o noticiário dos clubes baianos, alguma coisa importante de fora da Bahia. Quero tudo pronto às 15 para às 18 horas, pois eu e Zé Raimundo vamos ler o noticiário. E outra coisa: não precisa me chamar de senhor.

Agradeci, e no dia seguinte eu já estava em meu novo emprego. Com carteira assinada inclusive pelo Sr. Deraldo Mota, que era o diretor da Rádio Cruzeiro. Ele tinha também as lojas O Cruzeiro.

Todos os dias eu procurava caprichar, para não cometer erros na redação e um dia (estava sozinho no departamento de esportes) decidi ler o noticiário em voz alta. Para minha surpresa, estavam subindo a escada o grande Zé Ataíde e Fernando Mota, que era o diretor da rádio. Nisso, eu vejo pelo reflexo do vidro da janela que o Zé fez um sinal de positivo para o Fernando.

Pronto. Fiquei empolgado. Notei que os dois gostaram da minha maneira de ler as notícias e li quase tudo que tinha redigido naquele dia para o programa das 18 horas. Ataíde entrou na sala e falou:

– Gostei, viu menino! Continue treinando que amanhã você vai apresentar o programa comigo. Topa?

– Você deixa eu treinar mais uns dias?

– Só hoje e amanhã. Depois de manhã eu e você faremos o programa. Aproveite logo a sua oportunidade.

Gente, imagina a minha responsabilidade. Apresentar uma resenha junto com o consagrado José Ataíde. Quase não consegui dormir na véspera do meu primeiro dia lendo o programa. Falei com todos os meus amigos da Rua Alberto Torres, no Matatu, onde eu morava na época.

E chegou o grande dia para mim. Tremia mais do que vara verde, e o Ataíde sempre procurando me acalmar. Logo nas manchetes, dei uma tremenda pisada de bola:

– JEQUIEIRA e CACHOÉ decidem o Intermunicipal no próximo domingo.

Gente, era Jequié e Cachoeira. Mas o Zé fez sinal de positivo e continuamos fazendo o programa. No final, uma palavra de conforto do meu grande mestre:

– Fique tranquilo. Você foi bem. Só teve aquele tropeço no começo. Vou liberar o Zé Raimundo, Erdens e o Zé Fróes da apresentação e você ficará fazendo o programa todos os dias comigo.

Este foi praticamente o meu começo no rádio esportivo. Em outra historinha vou contar a eterna gratidão que tenho a JOSÉ ATAÍDE COSTA e mais três profissionais da crônica esportiva baiana.

Marão Freitas

 

 

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