A retomada do futebol brasileiro. O que esperar?

A pausa no Brasileirão está sendo como aquele intervalo necessário numa partida tensa: o tempo exato para respirar, reorganizar as ideias e, quem sabe, tentar mudar o rumo do jogo. Enquanto o Mundial de Clubes concentra as atenções globais, os clubes brasileiros voltam os olhos para dentro — para seus próprios problemas, suas lacunas, suas esperanças.

Botafogo e Flamengo voltam ao cenário nacional com feridas expostas. Ambos eliminaram cedo do Mundial — o Botafogo, superado pelo Palmeiras, e o Flamengo, que não resistiu ao peso europeu do Bayern de Munique. No alvinegro carioca, a queda de Renato Paiva escancarou a instabilidade que já vinha sendo disfarçada. Trocar de treinador virou um vício que o clube ainda não conseguiu abandonar. E o Flamengo, que sonhava alto, agora tenta se reequilibrar sem Gérson. A ausência do Coringa é mais que técnica: é simbólica. A alma do time precisa de reencontro.

Na outra ponta da esperança, Palmeiras e Fluminense seguem vivos em busca do inédito título mundial. O Alviverde carrega a consistência de Abel Ferreira e a experiência de quem já bateu na trave. O Fluminense, esse sim joga com a leveza de quem desafia a lógica. Com Renato Gaúcho, tudo pode acontecer — inclusive vencer. A pergunta que fica é se o futebol brasileiro terá força suficiente para tocar o céu do Mundial.

Já na nossa terra, o termômetro do momento é outro. Bahia e Vitória dividem atenções entre o Brasileirão e a reta final da Copa do Nordeste. Para os dois, o título regional seria não apenas um troféu, mas uma injeção de ânimo e identidade.

No Bahia, o desafio está na busca por regularidade entre os melhores. O time tem ideias, tem competitividade, mas ainda não se reforçou para o segundo semestre — e isso preocupa. O calendário exige mais que fôlego: exige elenco.

Lembrando que o Tricolor terá também pela frente, a disputa da fase de oitavas de final de Copa do Brasil, além dos Playoffs da Sul-Americana.

No Vitória, o cenário é de reconstrução com o alerta ligado. Novos nomes estão chegando, mas são incógnitas. A permanência na Série A depende de respostas rápidas. O tempo, como sempre, é curto. E o rebaixamento, impiedoso.

Assim, o Brasileirão está próximo de recomeçar. Com expectativas, volta também a narrativa viva do futebol brasileiro. Porque aqui, a bola não para. O que muda é o roteiro — e quem sabe, nesse segundo ato da temporada, os protagonistas também mudem.

Flávio Gomes é jornalista e colaborador do Em Cima do Lance

Uma resposta

  1. É o que esperamos uma mudança dos nossos artilheiros pra melhor.
    Eu, enquanto torcedora e sócia do Esporte Clube Bahia, desejo que meus artilheiros voltem com a pontaria afiada,com o pé moldado para chutarem em gol e não perderem um caminhão de gols,como perderão no primeiro semestre.

    PS. Não vejo a hora de recomeçar…
    Bora Bahêaaaa minha porreta!!!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *