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O dia em que a Vasp me devolveu um percentual da tarifa por atraso em um voo

Antigamente exista a Vasp (Viação Aérea São Paulo), que alguns apelidavam de “viação aérea sem pressa”, e que depois faliu. Até pouco tempo, ainda existiam carcaças dos seus antigos Boeings 737 pelos aeroportos do Brasil, inclusive, o de Salvador. Na década de 90, precisei ir a Maceió, resolver um assunto particular. Desta vez não foi para narrar jogos de futebol, e tentei viajar depois das 21 horas e 30 minutos, pois existia uma promoção da Vasp, chamada VEN (Voo Econômico Noturno), para os vôos que decolassem depois deste horário, até às 5 horas da manhã.

Tentei comprar um bilhete para este horário, mas não consegui. O único voo disponível sairia de Salvador às 21 horas e 20 minutos. Tentei argumentar que era um cliente que viajava com frequência, mas não obtive sucesso em conseguir desconto no bilhete. Tive de pagar a tarifa cheia.

Tudo certo, cheguei no aeroporto, fiz o meu check-in, fui para a sala de embarque e na hora certa (20 horas e 50 minutos) embarcamos no Boeing 737 que nos levaria a Maceió. Um voo direto com duração de 40 minutos. A decolagem estava prevista para às 21 horas e 20 minutos, desta forma, quem estava naquele voo não tinha direito ao desconto do chamado VEN.

Só que deu o horário certo e eu vendo que o avião ainda estava sendo carregado. Deu 21 horas e 45 minutos e nada de decolagem. De repente, o comandante entra no sistema de som interno do avião e fala:

– Senhores e senhoras, pedimos desculpas pelo atraso, mas é que estamos aguardando um voo que vem de Brasília e creio que em mais 10 minutos iniciaremos a nossa viagem.

Olhei para o relógio e vi que já ia dar 22 horas. Resumo da história. O avião só decolou às 22 horas e 03 minutos. Aí, fiquei pensando…caramba, eles não me deram o desconto porque o voo sairia antes das 21  e 30h. Como eu paguei a tarifa cheia, acho lógico receber a minha diferença, em função desse atraso.

Na segunda-feira, estava de volta a Salvador. Fiz uma carta para a diretoria da Vasp, em São Paulo, com cópia para a gerência aqui em Salvador. Não lembro se o gerente local era o Marcílio, um rapaz super educado, que até poucos anos, trabalhava na também extinta Transbrasil, no aeroporto.

Passados mais ou menos 4 dias, recebo uma ligação deste rapaz chamado Marcílio.

– Sr. Mário, o senhor poderia comparecer na loja da Vasp, aqui na Rua Chile?

– Claro. Passo por aí hoje mesmo.

Chegando lá, fui recebido muito bem pelo Marcílio.

– Rapaz, você fez uma carta para a direção da Vasp e mandaram atender a sua solicitação. Você vai ter direito ao desconto solicitado, em função de a aeronave só ter decolado depois das 21 horas e 30 minutos. Aqui está o seu valor em dinheiro. Vou lhe dizer, trabalho há muito tempo na aviação e nunca tinha visto uma situação igual a essa. Parabéns pela iniciativa!

Recebi o meu dinheiro, agradeci e acabei fazendo uma boa amizade com o Marcílio, que alias, faz muito tempo que não o vejo.

As muitas viagens aéreas, que fiz e faço pelo Brasil e pelo mundo, me levaram a viver situações como essa. Fiz a carta, dentro de uma lógica, e acabou dando certo. E assim peguei o meu trocadinho que não me fez mal nenhum. Muito pelo contrário.

Marão Freitas

 

 

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