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O dia em que um Boeing da Vasp nos deu um susto no aeroporto de Ilhéus

No final da década de 70 e início da década de 80, o Leônico sempre conseguiu boas colocações nos campeonatos estaduais. Às vezes, conquistava o vice-campeonato, ou ficava em terceiro ou quarto lugar. E estas posições lhe davam o direito de ganhar uma vaga como representante da Bahia, nos campeonatos nacionais.

Na década de 80, o Leônico que era uma espécie de time itinerante (jogava em diversas cidades) escolheu o estádio Luiz Viana Filho de Itabuna para mandar os seus jogos. E naquela época, a Rádio Excelsior, que tinha Nilton Nogueira e Marco Aurélio, como os seus chefes, cobria os jogos de clubes baianos, onde quer que eles jogassem.

E numa noite de quarta-feira, o chamado “Moleque Travesso”, apelido carinhoso que tinha o Leônico, por pregar peças nos chamados clubes grandes, foi enfrentar o América do Rio na cidade de Itabuna. Lembro que desta vez viajei sozinho, porque tinha um jogo em paralelo (outra transmissão no mesmo horário), para fazer a cobertura.

Peguei um vôo da extinta Vasp, aqui no aeroporto Luiz Eduardo Magalhães, na época Dois de Julho, por volta das 13 horas e a duração desta etapa era geralmente de 25 a 30 minutos.

Um vôo tranquilo, como dizem os comandantes dos aviões, com céu de brigadeiro. Só que chegando nas proximidades do aeroporto Jorge Amado, em Ilhéus, o Boeing 737 começou a dar umas voltas sobre a pista.

Curioso que sou, e conhecedor um pouco de aviação, imaginei que tinha alguma coisa errada. Chamei a aeromoça e perguntei:

-Está havendo algum problema ? por que a gente ainda não pousou?

-Nada. O comandante está checando a aproximação final.

Demorou um pouco e os procedimentos normais (apertar cintos, poltronas na posição vertical) para o pouso de um avião foram executados. Gente, na hora que o avião tocou na pista, se ouviu um tremendo de um estouro. Um barulho alto. Mas, mesmo com a pista mais curta do que em outros aeroportos brasileiros, o avião conseguiu parar sem problemas e saltamos. Antes, de novo, veio a curiosidade. Fui um dos últimos a saltar e me dirigi à cabine de comando:

-E aí, comandante, o que houve?

-Nada demais, apenas um dos pneus estourou. Mas já estamos em paz.

Como se quisesse dizer. O perigo já passou. Saltei, ví uma enorme fumaça preta sobre parte do aeroporto, retirei minha mala e peguei um táxi, que me levaria até Itabuna, onde seria o jogo, no dia seguinte. Ao entrar no carro, o motorista falou.

-Rapaz. Você estava nesse avião, né ? Tomamos o maior susto. Foi gente correndo prá tudo quanto é lado. Ouvimos um estouro violento e uma fumaça preta saindo debaixo do avião. Pensamos que ia explodir. Meu Deus, que susto.

-Foi um pneu que explodiu. Mas foi tudo tão rápido e acho que aqui fora o barulho deve ter sido bem maior. Respondí

E seguimos viagem, por mais 40 minutos, onde chegamos em paz no Itabuna Palace Hotel, na famosa Avenida Cinquentenário, onde me hospedei durante muitos anos, para transmitir jogos de futebol.

Esta foi mais uma das histórias que aconteceram comigo no fantástico mundo da bola.

Marão Freitas

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