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Uma incrível rouquidão, a falsa pneumonia e a doutora “gata”

Em 1988, eu o meu amigo Juraci dos Santos Alves, o Jurinha, irmão do meu saudoso e inesquecível compadre AMAURI DOS SANTOS ALVES (MAMAU), decidimos passar o Natal e o Reveillon em Porto Seguro. Fomos de carro e aproveitamos para darmos uma passada também por Prado e Alcobaça.

Na volta, fui acometido de uma rouquidão insuportável. Como o meu otorrino José de Ribamar Feitosa Daniel estava viajando, e eu ainda não conhecia os também otorrino, e amigos, Hélio Lessa (saudoso), Marcos Lessa e Maria Ivonilda, o também saudoso e meu sexto irmão, médico Luiz Azevedo, me levou a um colega dele de turma.

O médico pediu para eu fazer uma radiografia, a chamada abreugrafia, do tórax, pois não encontrou nada que me levasse a ficar quase sem voz. Fiz os exames, ele examinou e disse que eu estava com pneumonia. Mandou eu voltar para casa, passou uma medicação, por 8 dias, e disse que tinha de ficar em repouso absoluto.

Pronto. Comprei a medicação, cara por sinal, e comecei a tomar. E eu ficava imaginando…caramba, não fumo, bebo pouco, não sou muito de perder noite e estou com pneumonia?  Mas fazer o que?

Passado o período de 8 dias, voltei (a roquidão não melhorava) e ele pediu uma nova abreugrafia. Tinha um irmão, Agnaldo Azevedo, que trabalhava na marcação de exames no INSS da Rua Carlos Gomes. E ele marcou para eu fazer uma nova avaliação numa clínica no Relógio de São Pedro.

Fiz o exame e o médico disse que eu estava mesmo com pneumonia.

– Dr., me desculpe. Eu não tenho pneumonia.

– Rapaz, trato todos os meus pacientes bem e especialmente você que é irmão de Agnaldo. O seu exame está claro. Você tem pneumonia.

Sai de lá, mas não me conformei com o resultado. Voltei para o otorrino na Graça e este achou estranho eu não ter melhorado com a medicação. E me pediu uma série de exames. Desta vez, fui no Ramiro de Azevedo, no Campo da Pólvora, e o resultado, a mesma coisa: pneumonia.

A esta altura, eu já estava me rendendo e achava que tinha mesmo a doença. Voltei no médico, na Graça, ainda rouco, e ele me pediu outra série de exames, para eu fazer no Hospital Aristides Maltez.

Aí, fiquei de cabeça quente. Mas fazer o que? Continuei tomando a medicação, a rouquidão começou a melhorar e eu fui fazer os exames. Cheguei bem cedo, e na época eu fazia uma resenha das 6 às 8 horas na Rádio Cultura com o grande Zé Ataíde. Quando cheguei no hospital, lembro que fui atendido por um rapaz, e mostrei as requisições. Ele me disse:

– Rapaz, eu lhe conheço da Rádio Cultura. Sempre que posso estou lhe ouvindo. Você vai ser atendido por uma doutora “gata”. Acho que você vai ficar bom só de olhar para ela. Falou para descontrair.

De repente, chega a tal doutora “gata”. Era a competente médica, Drª Cristiana Andrade. Muito bonita, realmente. Ela examinou os exames anteriores e perguntou:

– Quem disse que você tem pneumonia?

– Vários médicos, doutora.

– Olhe, vou discordar de todos. Vivo examinando exames deste tipo e se eu fizer estes que estão sendo solicitados para você, eu vou ganhar mais dinheiro. Mas a minha consciência não permite. Vá para um cardiologista, pois está me parecendo um problema cardíaco. E sem muita gravidade. Garanto que você não tem pneumonia.

E acrescentou: “Pare de tomar estes remédios. Não jogue fora, porque são caros e você pode dar para alguém que esteja precisando. E se você fuma, pode voltar a fumar”.

Nossa, uma alegria imensa tomou conta de mim. Liguei para o meu irmão Luiz e este conseguiu com que os médicos Fernando Bulos e Peçanha me atendessem na Clínica Checap, no Campo Grande. Chegando por lá, lembro que Peçanha era torcedor do Ypiranga, e começou a falar de futebol.

– Oh Peçanha, vamos logo examinar os exames do rapaz. Deixa pra falar de futebol depois. Disse o Fernando Bulos.

Os dois, então, pegaram os meus exames e falaram na hora:

– Rapaz, você tem gordura pericárdica. Nada de pneumonia. E quando alguém disser que você tem problema no coração, esqueça. Isso não lhe trará nenhum tipo de problema.

Agradeci aos dois, sai vibrando da clínica. A esta altura a rouquidão já tinha passado e no dia seguinte voltei a fazer o programa na rádio Cultura, o Bom Dia Bola, que eu revezava com o Zé Ataíde e tinha o brother Renato Lavigne como repórter.

Anos depois, fui visitar a Drª Cristiana Andrade, numa clínica no bairro do Itaigara. Ela ficou muito feliz com o meu reconhecimento. Aliás, quem me deu a indicação de onde ela trabalhava foi o meu amigo Mateoni de Ataíde, também médico radiologista.

O período em que me atribuíram uma falsa pneumonia, e na realidade eu estava certo, quando disse que não tinha, foi mais uma das histórias que aconteceram comigo neste fantástico mundo de meu Deus.

Marão Freitas.

 

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