A falta cobrada para trás e a queda de produção do Bahia

O Bahia de 2024 vive um enigma que se desenha entre grandes expectativas e decepcionantes realidades. A entrada da SAF trouxe investimentos robustos, e o torcedor do Tricolor sonhou alto, esperando que o time alçasse voos maiores na temporada.

Vale dizer que, dentro de um planejamento adotado pelos gestores do Grupo City, o Bahia saiu da água para o vinho, superando a campanha temerosa, para uma campanha que pode fazer história, no sistema de pontos corridos. Título? Utopia! Mas uma das vagas que credencia à disputa da Copa Libertadores de 2025 é bem possível.

Problema é que, o que vimos do Bahia dos últimos jogos, é resumido na cobrança de falta, ainda na primeira etapa, contra o Flamengo, quando, ao invés de lançar a bola na área, com veneno, buscando balançar as redes, o que se fazia necessário, para reagir em busca da classificação, em uma inédita semifinal de Copa do Brasil, vimos uma boa oportunidade parando nos pés do goleiro Marcos Felipe. Alguém já viu uma falta de ataque, na boca do gol, voltar para seu próprio goleiro? Pois é,,, isso aconteceu!

Essa queda de produção que vem assolando o time é um reflexo de decisões estratégicas que, ao invés de avançar, parecem retroceder. Sob o comando de Rogério Ceni, técnico de convicções fortes, o Bahia tentou implantar um futebol moderno, pautado pela posse de bola e toque refinado. Mas, como o próprio treinador precisa se reinventar, essa estratégia está sendo anulada, sem obter os resultados esperados. O toque de bola bonito, por vezes, parece ser uma identidade em construção, mas, sem sabor de vitória, transforma-se em algo estéril. No futebol, a beleza só tem valor quando é acompanhada de eficiência — algo que o Bahia tem deixado a desejar.

O elenco tricolor, em teoria, é de qualidade, com nomes como Cauly, Thaciano e Jean Lucas no meio-campo. Mas o que aconteceu com esses jogadores? Esqueceram de jogar bola? Cauly, que começou a temporada com a expectativa de ser o cérebro criativo da equipe, ao lado do craque Everton Ribeiro, não conseguiu sustentar a consistência esperada. Thaciano, conhecido por ser um jogador versátil e combativo, artilheiro do time inclusive, parece ter perdido o brilho e a intensidade que o destacavam. Já Jean Lucas, com toda sua técnica, se viu engolido por partidas insossas e atuações aquém do potencial.

E quanto a Everaldo? A referência de ataque, a esperança de gols, tem se mostrado improdutiva. Um artilheiro que não marca, um centroavante que perde oportunidades preciosas e parece estar sempre um passo atrás da jogada. A falta de gols tem sido o calcanhar de Aquiles deste Bahia, um time que, por mais que toque bonito, não traduz isso em números no placar.

O Bahia se tornou uma equipe que passa bem a bola, mas não finaliza. Um time que tenta jogar bonito, mas que esquece que o futebol é, acima de tudo, um jogo de resultados. Não adianta ter mais posse de bola, rodar o campo com elegância, se não há objetividade e eficiência para transformar esse domínio em gols e vitórias. O toque refinado é, sim, uma identidade em formação, mas precisa vir acompanhado do sabor da vitória. O futebol é espetáculo, mas é também disputa, superação e, acima de tudo, conquista.

Para Ceni, resta o desafio de se reinventar. Suas convicções são importantes, mas o técnico precisa encontrar um meio de ajustar o time, tirando o melhor dos jogadores que hoje parecem esquecidos de sua própria capacidade. Não há mais espaço para perder oportunidades ou errar cobranças de falta jogando para trás. A torcida do Bahia quer ver o time avançar, e não recuar.

A SAF trouxe os recursos, mas o que vale mesmo no campo é o que se faz com esses investimentos. Se os jogadores não corresponderem, se o time não se reinventar, a temporada que começou promissora pode terminar melancólica. O Bahia precisa mais do que tocar bonito; precisa jogar com gosto, com fome de gol e com o espírito que sempre caracterizou a torcida tricolor: lutar até o fim, e com raça.

A esperança de todos é que o Bahia, assim como em outras tantas jornadas, se levante e volte a ser o time que sua torcida conhece — o time que luta, que encanta e, principalmente, nasceu para vencer.

Flávio GomesJornalista DRT 4994

Respostas de 3

  1. Comentário direto e objetivo de Flavio Gomes, que retrata o Bahia de Rogério Ceni, técnico que chegou com um elenco de nomes conhecidos e famosos trazendo muita esperança de triunfos e títulos, mas a realidade é outra, o time de RC, não ganhou nada, perdendo inclusive o título baiano para o nosso maior rival considerado tecnicamente inferior ao milionário time do Bahia, em seguida outra decepção, fomos eliminados dentro de casa para o CRB time da segunda divisão, e por incrivel que pareça no momento da disputa, estava na zona de rebaixamento dessa categoria, acabando a chance de disputarmos a a tão esperada final Copa do Nordeste. Restava para alguns torcedores a chance chegarmos às quartas de final da Copa do Brasil. Mais uma decepção, e que decepção, perdemos em casa e perdemos no Maracanã com um Bahia decepcionante, vergonhoso, um time sem vontade, sem objetivo, sem garra, esse é o retrato do time de R.C. um técnico e um time perdedor. Nasceu para Vencer! Esse não é o lema do Bahia de R.C.

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