A noite em que conheci duas maravilhosas artistas do Rio de Janeiro

Rio de Janeiro, “Cidade Maravilhosa”. Rio de Janeiro, “Cidade que me seduz”, “Copacabana, Princesinha do Mar”. São trechos e músicas, que marcaram a verdadeira fantástica cidade do Rio de Janeiro. Quem na sua adolescência não sonhou em um dia conhecer o Rio? Suas lindas praias, maravilhosas avenidas, gigantescos túneis, mulheres bonitas, grandes restaurantes.

Confesso que tive o privilégio de conhecer o Rio em 1971 e passar momentos agradáveis naquela que era realmente a cidade maravilhosa. Era uma época em que você podia sair à noite para ir a bares, boites e restaurantes, e não ficar com medo de ser assaltado.

Na atualidade, infelizmente, no Rio, como em outras grandes cidades, a Polícia e os governantes perderam a luta para a marginalidade. E para esta tragédia da humanidade chamada “droga”.

Mas falando de coisas boas no Rio, lembro que a minha ida foi em 1971. Fui para fazer um jogo do Vitória contra o Flamengo no gigante, até então o maior estádio do mundo, o Maracanã.

Recordo que do Aeroporto do Galeão (hoje Tom Jobim) até o Hotel Plaza em Copacabana, fui no mesmo ônibus da delegação e fiquei encantado com o que via. Ao lado de Fernando Silva, um médio volante que jogou no Vitória, no Bahia e no Fluminense de Feira, ele que é carioca, me mostrava os pontos por onde passávamos e não esqueço desta frase:

– Oh, Mário Freitas. Você está conhecendo a cidade mais linda do mundo.

E ele realmente estava certo. No dia seguinte, já fui logo conhecer a praia de Copacabana, do posto 1 ao posto 6, o Leblon, Avenida Niemeyer, Barra da Tijuca. Enfim, desde a minha ida ao Rio, já procurei aproveitar ao máximo.

Os anos foram se passando e eu constantemente estava no Rio. Fiz grandes amizades com o pessoal do Hotel Plaza, em lojas no centro da cidade, nos shoppings, principalmente no Rio Sul, em Copacabana, e com porteiros de bares e boites.

Diz um velho dito popular que para você ser bem atendido em um coquetel, tem que fazer amizade com os garçons. E, realmente, é uma realidade que permanece até hoje.

E com tempo acabei me tornando amigo dos porteiros, dos bares e das boites no bairro de Copacabana. Vivi muitas histórias e situações fantásticas no Rio, mas lembro bem de uma que ocorreu em 1976.

Convidei o meu querido e saudoso compadre Amauri dos Santos Alves (o MAMAU) para fazer uma viagem comigo para o Rio e São Paulo. Era a primeira vez dele nas duas maiores cidades brasileiras.

Chegamos no hotel, por volta das 23 horas, e fomos logo para a rua. Existia uma boite chamada New Munique, que era sucesso nas noites cariocas. Ficava na Rua Duvivier. Como já tinha feito amizade com o porteiro, não pagava para entrar e quem tivesse comigo também tinha acesso livre.

Logo na chegada, entregava aos porteiros e seguranças camisas com a marca de pontos de atração turística aqui de Salvador. E era sucesso. E tinha de levar para todos e até para algumas meninas que faziam os shows. Elas trabalhavam numa espécie de rodízio.

Nesta noite, com o meu querido Mamau, ficamos até o fim do show. A gente só pagava o consumo e ainda assim tínhamos um excelente desconto. Terminado o espetáculo, a boite estava fechando e nós estávamos parados junto a uma banca de revistas.

De repente, saíram duas das artistas que se apresentaram naquela noite. E eu não perdi tempo.

– Olha aqui. Queria parabenizar vocês pelo show. Muito legal, mesmo.

– Ah, você achou?

– Sim, eu e o meu amigo.

– Que bom!

– Eu posso falar porque sou radialista, jornalista de Salvador e tenho experiência em assistir shows desta natureza.

– Você é baiano? A minha amiga aqui também é.

Legal. Ficamos conversando, fomos num barzinho, comer sanduíches, tomar uma cervejinha e refrigerantes. Nesta época, ainda arriscava uma geladinha. Era quase um café da manhã, devido ao horário.

Acabei conhecendo naquela noite uma grande figura. O nome dela era Cleonice. Era uma cearense que morava no Rio, fez ponta em alguns filmes, produzidos por Carlos Imperial, e tinha um filho chamado Mauro. Por isso toda vez que eu ia ao Rio e a gente se encontrava nos shows, bares e restaurantes ela só me chamava de Mauro.

A outra que conheci, naquela noite no Rio, era Bete, uma baiana que já morava por lá fazia alguns anos. E todas as vezes que ia na então “Cidade Maravilhosa”, também encontrava com ela. O tempo foi passando, como tudo na vida, e perdemos o contato. Mas foram duas grandes figuras que conheci naquela noite carioca.

Lembro que quando chegamos no Hotel Plaza, os jogadores do Vitória, que no dia seguinte enfrentariam o América, no Maracanã, já estavam tomando café e se preparando para ir treinar. O lateral-esquerdo Jorge Valença, me viu chegando e perguntou:

– Vai com a gente para o treino, também?

– Não, amigo, estamos chegando agora para dormir.

A madrugada em que conheci uma cearense e uma baiana, junto com o meu inesquecível colega, compadre, parceiro, amigo, “irmão”, MAMAU, no Rio de Janeiro, foi mais um fato marcante na minha vida de viagens neste fantástico mundo da bola.

Marão Freitas

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