A primeira (falsa) morte do ponta-esquerda Edvaldo PT

A telefonia celular chegou na Bahia no ano de 1993. E os primeiros a usar a nova tecnologia foram selecionados pela então Telebahia Celular. Depois, chegaram outras operadoras e o telefone móvel se tornou uma ferramenta comum. Na atualidade, poucas pessoas mantem o telefone fixo, pois quase todos já aderiram ao celular.

No passado a secretária eletrônica também era um instrumento muito utilizado. E alguns telefones possuíam o bina, que era uma espécie de identificador das ligações recebidas.

Na década de 90, eu estava transmitindo um clássico Ba x Vi , no estádio do Barradão, e meu amigo, grande colaborador, grande parceiro e ótimo caráter, França Almeida, estava no plantão.

Aliás, o Francinha foi um dos maiores destaques como plantonista no rádio baiano. Atualmente, está aposentado e morando em Aracaju. Mas fala que pretende voltar às atividades, assim que surgir uma oportunidade.

O Ba x Vi estava pegando fogo, aliás como todos os clássicos entre os dois maiores clubes do nosso estado. De repente, o França me chama:

– Marão.

– Fala, França.

– Desculpe lhe interromper, mas é para dar uma triste notícia.

A prioridade era a bola rolando, mas como o França me fez esta observação, eu que estava comandando a jornada não tinha outra opção a não ser abrir o espaço para a informação.

– O que houve, França?

– É com tristeza que informamos a morte do ponta-esquerda do Vitória, Edvaldo PT.

– Como foi isso França?

– Bateu o carro perto da Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro.

– Como você soube desta informação, França?

– Tem um ouvinte aqui na linha, que vai dar maiores detalhes.

– Triste, né França? Mas coloca o ouvinte no ar, por favor.

– OK, Marão. Alô, ouvinte, boa tarde!

E cadê o ouvinte que não respondia o alô do França Almeida? Entrava no ar o sinal de um telefone ocupado. O cara desligou. E o burburinho começou a tomar conta da nossa cabine no estádio do Barradão e da cidade, porque as nossas jornadas tinham fantásticos números de audiência.

Na realidade, o Edvaldo PT estava no Rio de Janeiro. Era um ponta-esquerda que teve uma boa fase no Vitória e depois foi vendido para o futebol português.

E o ouvinte (fantasma) não mais apareceu. Pedi ao França e aos demais colegas da equipe para apurar a veracidade do fato, mas àquela altura, pela minha experiência, tinha quase que certeza de que a notícia não passava de um trote.

A jornada terminou e ninguém mais comentou o fato, nem nenhuma outra rádio aqui de Salvador. Pedi ao França até para ligar para a rádio Globo do Rio.

– Marão, lá na Rádio Globo ninguém sabe de nada sobre este fato. Já liguei para outras emissoras e a informação é a mesma.

Então, todos nós ficamos tranquilos, pois a “suposta morte” do ponta-esquerda, Edvaldo PT, não passou de um trote de alguém que não tinha o que fazer.

Mas o problema maior aconteceu na casa da família do jogador, aqui em Salvador, no bairro da Boca do Rio. A mãe dele estava ligada na Rádio Excelsior e ao ouvir a notícia, passou mal e teve de ser medicada. Mas depois se recuperou do susto e ficou tranquila, quando soube que a notícia não era verídica.

Depois desse dia, o grande França Almeida ficou mais atento e sempre que alguém dava uma informação desta natureza, ele pedia o número do telefone para retornar a ligação.

Tempos depois, Edvaldo PT, que chegou a fazer várias partidas no time titular do Vitória, tendo jogado, inclusive, em Portugal, morreu ainda muito jovem.

O dia em que um irresponsável passou um trote numa jornada esportiva da Rádio Excelsior, anunciando uma “pseuda morte” do ponta-esquerda Edvaldo PT, foi mais uma das histórias que aconteceram comigo neste fantástico mundo da bola.

Marão Freitas.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *