Bahia: A distância entre promessas e conquistas

O Bahia tem vivido uma relação de amor e desconfiança com sua torcida. Quando joga na Fonte Nova, costuma ser imponente, vibrante, dono do gramado. Mas basta cruzar a fronteira de Salvador para que o ímpeto se desfaça, e o Tricolor se torne um time comum. Foi assim na Libertadores, quando a eliminação ainda na fase de grupos expôs a fragilidade de competir em estádios hostis. Contra o Inter, na partida derradeira, sucumbiu por 2 a 1. Na Sul-Americana, caiu contra o América de Cali, perdendo por 2 a 0. E foi assim mais na Copa do Brasil, contra o Fluminense, com outro 2 a 0, no Maracanã. Jogos que pediam coragem, mas o Bahia escolheu o caminho mais tímido.

A frustração cresce porque o torcedor já entendeu que o Bahia não é mais um clube qualquer: faz parte do Grupo City, dono de um projeto sólido e estruturado, que fala em longo prazo e sustentabilidade. Mas até que ponto vale o discurso se não houver também ambição? A SAF Tricolor se aproxima do fim do terceiro ano, e está claro que o elenco precisa de mais do que promessas. Precisa de jogadores calejados, que já tenham sentido o peso de decisões grandes, que saibam como vencer quando o jogo aperta. Dinheiro, o grupo tem. Falta, agora, disposição para usar esse recurso onde realmente importa: em reforços de nível alto, que possam elevar o patamar do time.

Rogério Ceni, por sua vez, parece preso a uma contradição incômoda. Como goleiro do São Paulo, construiu uma carreira marcada por títulos e atuações ousadas, de quem não se intimidava em finais e clássicos. Como treinador do Bahia, no entanto, tem mostrado uma face diferente — retraída, calculista demais quando joga fora de casa. É claro que os desfalques pesam, mas por que repetir uma postura tão encolhida, sabendo que o Bahia precisa se afirmar como protagonista e não coadjuvante? O time entra em campo parecendo querer sobreviver, quando deveria querer vencer.

Não há mais espaço para desculpas. A temporada expôs fragilidades que não podem ser ignoradas, e o mínimo que resta ao Bahia é garantir o G4 no Brasileirão — a única competição que resistiu até o fim do calendário. O torcedor cansou de discursos e estatísticas. Quer ver o Bahia forte, decidido, competitivo onde quer que jogue. Quer um time que não tema o tamanho do desafio. Porque já passou da hora de o Bahia deixar de parecer promissor e, enfim, se tornar vencedor.

Flávio Gomes é Jornalista e colaborador do Em Cima do Lance

Foto Rafael Rodrigues / Bahia

Respostas de 2

  1. A falta de interesse em grandeza foi claramente explícita ao renovar com um treinador frágil, metódico, limitado, confuso, e medíocre. O espírito de vencedor ficou nos seus anos em que era goleiro, claro que pra o grupo City tá ótimo ter ele como treinador, afinal projeto grande dentro do contexto do grupo é a longo prazo, mas o torcedor de verdade que não se prende a passado, e segue a risca a grandeza do clube, as limitações e a falta de desejo de grandeza não faz parte da atual ideia do City, e o treinador infelizmente combinou muito bem com a ideologia futurista de algo maior, porque o Bahia só em existir exige que quem entra tenha que ser tão grande quando a grandeza do clube.

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