A violência registrada no dia do Ba-Vi voltou a colocar em discussão uma medida adotada há quase uma década no futebol baiano: a torcida única. Nesta segunda-feira (24), o comentarista PC Vasconcellos criticou a manutenção do modelo e classificou a decisão como resultado da falta de capacidade do poder público para garantir a presença das duas torcidas nos clássicos.
Durante o programa Seleção Sportv, PC lembrou que os confrontos mais graves têm acontecido longe dos estádios, justamente onde a torcida única não consegue impedir o encontro entre integrantes de organizadas.
“A grande questão está na excrescência que é o clássico com torcida única, uma preguiça do poder público”, afirmou o comentarista.
PC também citou o Rio de Janeiro como exemplo de que é possível realizar clássicos com torcedores dos dois clubes. Para ele, a solução adotada inicialmente em São Paulo acabou sendo reproduzida em outros estados sem resolver a raiz do problema.
A discussão ganhou ainda mais força depois dos episódios ocorridos antes do Ba-Vi 508, disputado domingo, no Barradão. A Polícia confirmou uma morte e seis prisões relacionadas aos confrontos entre integrantes de torcidas organizadas. As ocorrências aconteceram fora da região do estádio.
O clássico, vencido pelo Bahia por 2 a 0, foi o 34º Ba-Vi disputado com torcida única. A medida começou a ser adotada em 2017. Houve uma tentativa de retorno das duas torcidas no ano seguinte, mas o modelo voltou a vigorar e permanece desde então.
Os números também alimentam o debate sobre a eficiência da determinação. Segundo levantamento apresentado pelo ge, 14 mortes relacionadas a brigas entre torcedores foram registradas na Bahia, sendo seis delas durante o período em que os Ba-Vis passaram a ser disputados com torcida única.
A possibilidade de retorno das duas torcidas já havia sido discutida antes da final do Campeonato Baiano deste ano. Na ocasião, o Vitória protocolou um pedido para contar com seus torcedores no setor visitante da Arena Fonte Nova.
O Ministério Público da Bahia, porém, informou que não havia garantias de segurança suficientes para permitir a presença das duas torcidas. A Polícia Militar seguiu a recomendação e o clássico permaneceu com público exclusivo do mandante.
A morte registrada no domingo deixa novamente uma pergunta incômoda para as autoridades. Se a torcida única foi criada como instrumento para reduzir a violência, os confrontos fora dos estádios mostram que impedir o visitante de entrar na arquibancada está longe de eliminar o problema.
Mais do que discutir quem pode ocupar as arquibancadas, o desafio passa pelo combate aos grupos envolvidos em episódios de violência e pela capacidade de identificar e responsabilizar seus integrantes.
O debate levantado por PC Vasconcellos coloca novamente a torcida única no centro da discussão. Quase dez anos depois de sua implantação na Bahia, a medida segue restringindo o clássico dentro do estádio, enquanto a violência continua encontrando espaço nas ruas.
Foto Reprodução











