O projeto é bonito. Grandioso. O Bahia que o Grupo City vem desenhando é moderno, estruturado, com uma proposta de médio e longo prazo que resgata a autoestima do torcedor e reposiciona o clube no cenário nacional. O torcedor reconhece isso. Está vendo a mudança. Sentindo no dia a dia, nos bastidores, na forma como o clube passou a se comportar. Mas até as melhores engrenagens precisam de ajustes de tempos em tempos. Porque planejamento não pode ser desculpa para inércia.
A falha de Ronaldo contra o Retrô acendeu um alerta que já vinha piscando há semanas. A má fase de Marcos Felipe, por sua vez, deixa claro: falta ao Bahia um goleiro de ponta. Alguém que não apenas defenda, mas que lidere. Que inspire. Que sirva de espelho para os demais. Porque toda posição é importante, mas um goleiro inseguro contamina o time inteiro.
E aqui, é bom deixar claro: não se trata de jogar os profissionais aos leões. Mas o futebol é implacável com a dúvida. E quando ela se instala no gol, o risco é grande demais.
Rogério Ceni não errou ao escalar uma equipe alternativa contra um adversário frágil. O Bahia venceu. Fez o necessário. Abriu vantagem na Copa do Brasil. Continua entre os quatro melhores times do país. Vai disputar a semifinal do Nordestão. O projeto está andando. Mas se o motor começa a engasgar, é preciso agir antes que pare.
E o torcedor, que já sofreu tanto, não quer saber de planos que desconsiderem o agora. Porque o Bahia de hoje também merece conquistas. E porque o futuro é construído com vitórias no presente.
Contratar um goleiro de alto nível não é abrir mão do projeto. É garantir que ele não desande por detalhes que poderiam ser evitados. Um clube com ambição nacional precisa de pilares firmes. E o gol, hoje, é um ponto frágil.
O Bahia está no caminho certo. Mas grandes caminhos também exigem decisões firmes nas encruzilhadas. E talvez essa seja uma delas.
Flávio Gomes é Jornalista e colaborador do Em Cima do Lance
Foto Rafael Rodrigues Bahia
















