A Fifa tenta estancar a maior crise política da gestão de Gianni Infantino. Em comunicado divulgado na quarta-feira, após uma reunião de emergência em Rabat, no Marrocos, a entidade manifestou apoio público ao presidente e buscou transmitir uma imagem de estabilidade em meio à forte pressão exercida por federações e confederações nos últimos dias.
A nota oficial afirma que o secretário-geral e todo o Conselho de Administração “reafirmam total apoio ao presidente Gianni Infantino”, destacando que ele é o único dirigente eleito pelas 211 associações filiadas à entidade. O comunicado também informa que Infantino enviou uma carta às federações nacionais pedindo desculpas pela condução do projeto que desencadeou a crise.
O desgaste começou após a proposta da Fifa de criar uma subsidiária para administrar os direitos comerciais da Copa do Mundo e vender parte dessa empresa a investidores privados. A iniciativa provocou uma reação imediata de diversas entidades, que criticaram a falta de transparência e afirmaram que um projeto dessa magnitude não poderia ser apresentado sem consulta prévia às confederações e federações.
Diante da repercussão negativa, a Fifa retirou a proposta, mas a decisão não foi suficiente para encerrar a turbulência. A Uefa declarou ter perdido a confiança na liderança de Infantino, posição que recebeu apoio de várias federações europeias. A Concacaf e integrantes da Confederação Asiática também manifestaram preocupação com a forma como o projeto foi conduzido, ampliando o isolamento político do presidente da entidade.
Na reunião realizada no Marrocos, dirigentes discutiram os próximos passos da administração e buscaram reconstruir o diálogo com as associações nacionais. A Fifa afirmou que continuará ouvindo seus membros e prometeu fortalecer os mecanismos de governança e consulta antes de apresentar novos projetos estratégicos.
Mesmo com a demonstração pública de apoio da cúpula administrativa, o cenário ainda é de incerteza. A crise abalou a relação entre a Fifa e parte significativa das principais entidades do futebol mundial, colocando em xeque a liderança de Gianni Infantino a poucos meses do início das articulações para a eleição presidencial de 2027.
Foto: Buda Mendes – FIFA/FIFA via Getty Images













