Em 1986, trabalhava na Rádio Clube de Salvador-AM 1290. Era uma emissora que pertencia ao trio Paulo Magalhães (deputado federal), Luís Alberto Gordiano (fazendeiro) e Dudu Cedraz (empresário). A equipe esportiva era chefiada pelo meu amigo, Martinho Lélis de Santana.
Faltando mais ou menos uns três meses para o início da Copa do Mundo, Luis Alberto, o Beto, me chamou e perguntou :
– Está a fim de cobrir a Copa do Mundo?
– Claro. Quem não quer cobrir um evento desse porte.
– Caia em campo e venda. Já falei com Martinho e vocês viajam se cobrirem todas as despesas.
Pronto, mãos à obra. Naquela época, era bem mais fácil. Martinho vendeu a parte dele e lembro que consegui vender três passagens para o México (ida e volta). As que não usei, fiz negócio com a direção da rádio.
E partimos para a viagem. Lembro que cheguei na capital mexicana, dois ou três dias antes da copa e sem hotel reservado. Encontrei com o saudoso Mário Luís, que também estava na Rede Baiana de Rádio, comandada pela Rádio Sociedade de Feira de Santana, e ele estava na mesma situação que eu: sem hotel reservado.
Fomos no hotel onde o Dilson Barbosa da Rádio Sociedade de Feira estava, mas não tinha vaga. Depois de muitas pesquisas, finalmente, eu e o xará (morreu faz alguns anos) conseguimos encontrar um hotel. Tudo certo. Reserva garantida e nos alojamos.
No dia seguinte, antes de sairmos para o Centro de Imprensa, o Mário me disse.
– Essa menina da recepção do hotel está a fim de você.
Não liguei para o que o Mário falou e fomos adiante. Na volta, já era outra a recepcionista. No dia seguinte, voltamos a nos encontrar com a mexicana do dia anterior e conversamos bastante. E o xará insistiu com a teoria dele. E eu falei:
– Aqui prá nós, Mário. Não estou a fim não. O trabalho é árduo e ela também não é grande coisa.
Lá no Centro de Imprensa do México fiz amizades com algumas garotas que trabalhavam por lá e também com jornalistas de outros países. Principalmente, com aquelas que falavam espanhol, pois até então o meu Inglês era de índio.
De repente, os dias foram passando, e algumas daquelas jornalistas com as quais fizemos amizade, me perguntaram se eu tinha mudado de hotel. Respondí que não. E elas me disseram:
– Todas as vezes que te ligamos, para passar alguma informação ou pegar alguma notícia, a recepcionista do hotel diz que você não está. Já tentamos várias vezes e não conseguimos.
Ai, então é que a ficha caiu. A tal recepcionista do hotel, “boicotava” as ligações que chegavam para mim. Quando alguma mulher ligava, ela dizia que eu não estava. Então, cheguei à conclusão de que o grande Mário Luís estava certo.
Marão Freitas
















