A decisão da Copa do Mundo de 2026 entre Argentina e Espanha expôs um fenômeno que vem ganhando força na América Latina: o aumento do número de torcedores que preferem ver a Argentina derrotada, mesmo quando o adversário é uma seleção de fora da região.
Durante décadas, a lógica do futebol sul-americano era simples. Quando o Brasil ficava pelo caminho, parte dos torcedores passava a apoiar outra seleção do continente. O mesmo acontecia em diversos países latino-americanos. Mas a campanha argentina nos últimos anos parece ter mudado esse comportamento.
A conquista da Copa de 2022, os títulos continentais e a permanência de Lionel Messi em alto nível consolidaram a Argentina como a principal potência do futebol da região. O sucesso, porém, veio acompanhado de um desgaste na imagem da seleção perante adversários históricos.
O sentimento é especialmente forte no Brasil e no México. Além da rivalidade esportiva, episódios envolvendo provocações entre torcedores, acusações de racismo e discussões nas redes sociais contribuíram para ampliar a rejeição à equipe albiceleste. Especialistas ouvidos pela imprensa internacional apontam que a ascensão das plataformas digitais potencializou disputas que antes ficavam restritas aos estádios.
Outro fator é o chamado “efeito Messi”. Ao mesmo tempo em que o camisa 10 argentino é admirado em praticamente todo o planeta, existe um grupo crescente de torcedores que demonstra fadiga diante do protagonismo contínuo do craque. A possibilidade de conquistar mais uma Copa do Mundo transformou o jogador em alvo preferencial de quem busca uma nova narrativa para o futebol mundial.
A imagem da Argentina também foi afetada por polêmicas recentes. Durante o Mundial, discussões sobre arbitragem, manifestações políticas e comportamentos de parte da torcida ganharam repercussão internacional, alimentando ainda mais o movimento contrário à seleção.
Mesmo assim, Messi continua reunindo admiradores em todo o continente. Muitos torcedores latino-americanos enxergam no argentino um dos maiores jogadores da história e defendem que a rivalidade esportiva não deve superar a identificação regional.
No fim das contas, a Argentina chega à final cercada por um paradoxo. É uma das seleções mais admiradas do planeta, mas também uma das mais rejeitadas. E talvez esse seja o maior sinal de sua força atual: poucos times despertam sentimentos tão intensos quanto a equipe liderada por Messi
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