O meu inicio nesta longa jornada como jornalista e radialista

Até terminar o meu terceiro ano cientifico, na época no Colégio Severino Vieira, não tinha decidido ainda para qual curso faria Vestibular. Final de 1967, fui passar férias em Feira de Santana, na casa de um irmão, e tomei conhecimento que existia o curso de Jornalismo, na Universidade Federal da Bahia.

Aproveitei, li uns livros, e quando voltei para Salvador, fiz a minha inscrição. E consegui passar de primeira. Lembro que na minha turma estavam nomes de destaque como Paolo Marconi, Tasso Franco, Gilson Ney, Carlos Olímpio, que nos deixou recentemente, Sérgio Matos, entre outros.

Em 1969 fui apresentado pelo meu terceiro irmão, Arismaldo o (Madinho), a Enádio Moraes, que era diretor do Fluminense de Feira e também do Jornal da Bahia, cuja sede ficava na Barroquinha.

Um dia apareci por lá, e o saudoso amigo Enádio, me levou na redação e me apresentou ao grande Gilson Nascimento, que era o chefe de reportagem do Jornal da Bahia. Lembro que junto comigo estava um outro rapaz.

Gilson nos recebeu e foi muito sincero nas suas palavras:

– Vou dizer uma coisa e quero que vocês entendam. Caso estejam querendo subir na vida financeiramente, jornal não é o lugar para isso. Vocês vão passar por um período de adaptação, não vão ganhar nada e depois se forem contratados, vão receber um salário muito pequeno. Os jornais pagam muito pouco.

Ouvimos atentamente. O rapaz que chegou comigo desistiu. Eu encarei. Disse que topava. Ele me perguntou o que eu gostaria de fazer. Falei que preferia o esporte. E o Gilson pediu que eu voltasse no dia seguinte.

Conforme combinado, no dia seguinte estava por lá. E ele (o Gilson) me indicou a Carlos Libório, o meu mestre.

– Oh, menino, você gosta de futebol? Torce por qual time?

– Gosto e torço pelo Vasco.

– Você é carioca? Perguntou.

– Não, é porque fui menino em Santo Amaro e lá se torce mais pelos times do Sul do que pelos de Salvador.

Está bem. Volte amanhã. Você vai ficar cobrindo os treinamentos dos clubes. Vamos lhe dar uma caixinha (dinheiro para transporte), se você tiver carro pode colocar gasolina.

E assim comecei a minha vida no Jornalismo. Fui o chamado “foca” durante seis meses. Não recebi nada de salário. Mas foi tudo combinado. E eu sabia disso. Só tinha o dinheiro da caixinha.

Depois fui contratado como repórter, passei para redator, editor de esportes da edição das segundas-feiras e depois editor da edição diária do, na época, conceituado Jornal da Bahia.

Nesta mesma época fui contratado pelo José Ataíde para a rádio Cruzeiro, e depois de algum tempo passei para a Rádio Excelsior. E ai começou a minha caminhada pelas rádios Cultura, Sociedade, Tudo FM, Globo FM, Transamérica, Nova Salvador, Andaiá FM e outras.

No momento em que entrei para o Jornal da Bahia, havia uma briga que marcou época no Jornalismo baiano. O chamado “matutino” (o jornal circulava pelas manhãs) da Barroquinha era inimigo do então político Antônio Carlos Magalhães.

Era como se diz na gíria popular: briga de foice no escuro. De um lado o politico ACM, os seus assessores e seguidores, e do outro o dono do jornal, João Falcão, e o seu redator chefe, João Carlos Teixeira Gomes, o Joca, que nos deixou recentemente.

Mas, durante muitos anos, o Jornal da Bahia resistiu. Empresários que faziam publicidade no órgão eram perseguidos pelos fiscais da Prefeitura e do Governo. Anos mais tarde a situação se acalmou. Esses três principais personagens da famosa “briga” já nos deixaram.

No Jornal da Bahia tive grandes mestres. Vou citar alguns nomes, mas certamente vou esquecer de alguns.

Carlos Libório, o meu primeiro chefe. Incapaz de dar um grito. Sempre tendo educação para reclamar do que estava errado.

Geraldo Lemos, texto incrível.

Rafael Pastore Neto, um grande redator.

Luis Carlos Alcoforado, incrível datilografo.

Fernando Vita, Sérgio Tonielo e Tasso Franco, estes contemporâneos, o próprio Gilson Nascimento.

O mestre João Carlos Teixeira Gomes, o Joca.

O fantástico Samuel Celestino.

Emiliano José, torturado pela revolução de 64.

Levi Vasconcelos, menino que veio de Valença.

Moacir Ribeiro, grande repórter policial.

Anísio Felix, José Lopes da Cunha, enfim foram muitos.

Peço desculpas aos que não citei, mas muitos me ajudaram na minha formação como jornalista, porque não dizer, também como radialista.

Este foi um resumo do início da minha carreira no jornalismo. E o Gilson Nascimento estava certo. Ninguém podia viver só com salário de jornalista. Por isso procurei também ser radialista e cair no campo da publicidade que me deu uma relativa folga financeira, nesta minha longa estrada da vida.

Marão Freitas

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *