Os Amigos da Noite e a força para Mara Maravilha

No ano de 1983, eu trabalhava na Rádio Clube (AM 1290). Já comentei com vocês que ano anterior o Juarez Oliveira me fez uma proposta irrecusável e acabei me transferindo para a emissora, que tinha a sua sede no bairro de Nazaré, vizinha ao Colégio Severino Vieira, onde estudei por muitos anos.

Fui contratado para fazer a resenha do meio-dia com o próprio Juarez Oliveira e substituí-lo na sua ausência. Além disso fui narrar jogos de futebol, em igualdade de condições, com dois dos maiores nomes da narração esportiva: Juarez Oliveira e Sílvio Mendes.

Na época, trabalhavam também na Rádio Clube, o saudoso Milton Colen, um mineiro que marcou o seu nome apresentando programas na TV Itapoan, e Armando Mariani, que depois de muitos anos na Rádio Sociedade está, agora, na Rádio Excelsior.

Mariani fazia um programa musical (era o chamado disc-jockey) e era também o responsável pela programação artística da Rádio Clube. À noite, não existia uma programação fixa, em função das jornadas esportivas.

Quando não tinha jogo de futebol, Mariani programava os chamados “suplementos musicais”. Um determinado dia, Mariani teve uma ideia: ele escalava um dos locutores da rádio, que escolhia as suas músicas preferidas. E assim, os dias da semana eram preenchidos com esta programação.

Quando eu fiz, modéstia à parte, foi sucesso. Quando cheguei para trabalhar no dia seguinte, Armando Mariani disse que queria falar comigo.

– Mário, quero colocar você para fazer este programa todas as noites.

– Qual é o horário, Mariani?

– Das 22 à meia-noite.

– Mariani, Enaldo Rodrigues (na época era comentarista esportivo) também tem interesse. Podíamos fazer nós dois.

Ele disse que levaria a situação para a diretoria da Rádio Clube e depois me falaria. Mas que, inclusive, já tinha o nome do programa: “Amigo da Noite”.

Pouco tempo depois, ele chegou com a solução: eu faria na segunda e na terça-feira, quarta era dia de futebol e Enaldo faria nas quintas e nas sextas.

Fechado. E começamos a tocar o projeto. Um dia Mariani me chamou e disse:

– Os homens querem que você fique fazendo o programa todo dia. Enaldo vai ficar só como comentarista esportivo.

– Pô, Mariani, assim não dá. Não posso fazer isso com Enaldo.

– Mas não é você quem esta fazendo.

– Mas o meu estilo não permite. Enaldo é parceiro e eu não vou fazer isso com ele.

Mariani entendeu e eu fiquei fazendo o programa segunda e terça-feira. Quando não tinha futebol na quarta, nós dois fazíamos (eu e Enaldo) e ele apresentava na quinta e na sexta-feira.

Nesta época, estava surgindo a Misse Mara, que depois virou a Mara Maravilha, e atualmente é somente a Mara. Ela tinha um programa na TV Itapoan e estava lançando o seu primeiro compacto simples. Na época nem sonhar em DVD.

E toda segunda e terça, Mara ia no meu programa , “Os Amigos da Noite”, na Rádio Clube. Ela ia com a sua saudosa mãe e eu dava a maior força para a primeira música dela.

Além de pedir ao operador para tocar a música, colocava ela para falar com os ouvintes, por telefone; fazia sempre entrevistas e sobre o início de sua carreira. Depois, Mara foi para o Sul. Aproveitada por Silvio Santos, fez sucesso nacional como cantora e apresentadora.

Algum tempo depois do programa ” Os Amigos da Noite”, encontrei com a Mara num restaurante em João Pessoa, na Paraíba. Fui na mesa onde ela estava e me atendeu muito bem. Depois, nunca mais tive contato com ela.

Caso encontre com ela em algum lugar, novamente, vou perguntar se ela lembra da força que dei para ela no nosso programa da Rádio Clube AM aqui em Salvador, no seu início de carreira.

As noites em que eu apresentava o programa “Os Amigos da Noite”, na Rádio Clube, dando a maior força para a hoje apresentadora e cantora, Mara, foram mais um marco nesta minha longa carreira no rádio baiano.

Marão Freitas

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