Em 1973, eu estava trabalhando na Rádio Excelsior da Bahia (AM 840) , quando recebi um convite de José Ataíde e Fernando José com o objetivo de me transferir para a Rádio Cultura AM 1140. Pensei um pouco e aceitei.
No ano seguinte, no mês de março, fui escalado para fazer um jogo do Vitória, no Espírito Santo, e na sequência um Bahia e Vasco, no estádio de São Januário.
Como era uma quarta-feira, à noite, e não se travava de um jogo isolado (porque o Vitória jogava no mesmo horário aqui em Salvador) fui fazer a transmissão sozinho.
Lembro que a partida foi disputada no dia 03 de abril e o Bahia acabou conseguindo um bom resultado. No final dos 90 minutos, houve um empate por 0 a 0.
Naquela mesma noite, estava no estádio de São Januário, o saudoso França Teixeira, um dos maiores nomes do rádio baiano e brasileiro. Ele foi fazer o jogo para a Rádio Sociedade.
Durante o período em que estávamos preparando os nossos equipamentos, o França me chamou:
– E aí Mário Freitas. Tudo bem?
– Tranquilo, França. E você?
– Tudo bem, também.
França Teixeira estava com um carro alugado lá no Rio de Janeiro e como viu que eu estava sozinho me perguntou:
– Está hospedado em que hotel?
– No Plaza, em Copacabana.
– Oh, rapaz, eu estou por lá também. Quer ir comigo depois do jogo?
– Claro, amigo. Obrigado.
E assim deixamos tudo acertado. Depois de um movimentado jogo, apesar de nenhum dos dois times ter conseguido tirar o zero do placar, arrumamos o nosso material e nos dirigimos para o carro, a fim de ir para o Hotel Plaza.
Tenho lembrança de que França Teixeira estava com um amigo. Ele conhecia bem o Rio de Janeiro, mas como se trata de uma grande cidade, à noite, ele tinha alguma dificuldade para se locomover.
Eu, naquela época, ainda conhecia muito pouco o grande Rio. Acredito que tinha no máximo, três ou quatro vezes, na então chamada Cidade Maravilhosa .
Quando França chegou perto do centro do Rio, entrou numa via errada e fomos cair na Ponte Rio-Niterói.
– Pessoal, entrei na pista errada e agora não tem mais retorno. Temos de ir até Niterói.
– Não dá para uma ré, França?
Perguntou o amigo dele.
– Não, a esta hora, quase uma da madrugada, é muito perigoso. Vamos em frente.
E assim, devido a um equivoco do meu amigo França Teixeira, que estava dirigindo o carro, tivemos de ir até Niterói, do outro lado da Baía da Guanabara, fizemos o retorno e voltamos.
Então, por acaso, conheci a maior ponte que liga duas cidades no Brasil, a famosa Rio – Niterói com seus 13 quilômetros, 290 metros de extensão e que tinha sido inaugurada naquele mesmo ano no dia 04 do mês de março.
Aliás, naquela importante construção, que começou em 23 de agosto de 1968, vários funcionários morreram no exercício de sua funções e não puderam ver aquela fantástica obra que ajudaram a edificar.
Marão Freitas














