Todo carnaval tem seu fim

“Todo carnaval tem seu fim.” A frase dos Los Hermanos nunca pareceu tão apropriada para traduzir o atual momento do Bahia. O encanto que tomou conta da torcida no início da temporada vai, de forma rápida, cedendo espaço à desconfiança. O repertório já é conhecido, as músicas se repetem, os erros também. E quando o disco arranha, a arquibancada percebe antes de todo mundo.

A derrota para o Cruzeiro expôs mais uma vez um Bahia previsível, sem força de reação e cada vez mais distante daquele time competitivo que empolgou nos primeiros meses do ano. São cinco jogos sem vencer na temporada, quatro deles pela Série A, e uma sensação crescente de que o trabalho de Rogério Ceni entrou numa espécie de piloto automático. O time roda, roda, toca de lado e nada. Falta intensidade, falta criatividade e, principalmente, falta resposta. E há quem diga que estão querendo implantar uma crise, que já está evidenciada há tempos.

O problema nem é apenas perder. Futebol permite derrotas. O que incomoda é a ausência de evolução. O Bahia parece preso às mesmas alternativas, aos mesmos encaixes, às mesmas entrevistas pós-jogo tentando justificar o injustificável. O adversário já sabe como marcar. O torcedor já sabe o que vai assistir. E talvez esse seja o maior sinal de desgaste de um trabalho: quando até a surpresa desaparece.

Na quarta-feira, contra o Remo, pela Copa do Brasil, não estará em jogo apenas uma classificação. Será uma prova de sobrevivência. Vencer virou obrigação. Não pelo peso do placar adverso, mas pelo contexto. Porque eliminações têm consequências. Porque a paciência encurta quando o futebol não responde. E porque no futebol, como na canção, chega um momento em que até o mais bonito dos carnavais começa a desmontar avenida abaixo.

Foto Letícia Martins Bahia

Flávio Gomes é jornalista e colaborador do Em Cima do Lance

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