Um bom momento para refletir sobre a presença da torcida mista no BaVi

O apito ainda nem soou, mas a final do Campeonato Baiano já pulsa diferente. Jogo único. Clássico. Bahia e Vitória frente a frente. Um BaVi que decide tudo em 90 minutos. E, mais uma vez, com torcida única.

É impossível falar de decisão assim sem tocar numa ferida antiga: o torcedor perdeu o direito de viver o clássico de perto, de ocupar seu espaço no estádio adversário, de cantar no meio da pressão, de sentir aquele frio na barriga que só o BaVi proporciona. O futebol nasceu para o povo. E o clássico, mais do que qualquer jogo, é o encontro das cores, dos cantos e das provocações que ficam nas arquibancadas, não nas manchetes policiais.

Há tempos a justificativa é a segurança. E segurança é coisa séria. Mas também é justo reconhecer que a Bahia tem avançado. A estrutura da segurança pública, a tecnologia, o monitoramento, a organização dos acessos: nada disso é igual ao que era anos atrás. Houve evolução. E é justamente por isso que o debate volta à mesa.

Quem viveu os antigos BaVis sabe: havia rivalidade, claro. Havia tensão. Mas também havia convivência. Torcedores de Bahia e Vitória entrando no mesmo portão, dividindo espaço na Fonte Nova, no Barradão, nos bares do entorno. A cidade respirava o clássico. O confronto ficava restrito às quatro linhas. O grito mais alto era o de gol.

Logo após a partida contra o Jacuipense, o presidente do Vitória, Fábio Mota, revelou que fará um pedido que merece ser considerado: a presença de torcida mista na final. Um gesto que soa como sinal de maturidade, como tentativa de reaproximar o clássico de sua essência popular. É um movimento salutar. O futebol precisa desses acenos.

Mas o questionamento também é legítimo: se a decisão fosse no Barradão, haveria o mesmo empenho em abrir as portas para a torcida Tricolor? O discurso vale para os dois lados. O gesto precisa ser coerente em qualquer cenário. Porque clássico não é favor, é reciprocidade.

No fim das contas, não se trata apenas de logística. Trata-se de símbolo. De devolver ao torcedor o direito de viver o BaVi inteiro. De mostrar que rivalidade não é sinônimo de violência. De provar que a arquibancada pode ser palco de paixão, não de conflito.

Se as duas torcidas estiverem presentes, quem ganha não é só Bahia ou Vitória. Quem ganha é o futebol baiano. Quem ganha é a cidade. Quem ganha é a paz.

Flávio Gomes é jornalista e colaborador do Em Cima do Lance

Imagem Reprodução

Respostas de 2

  1. Interessante, no turno inicial quando o Ba X Vi foi no Barradão com torcida única, não teve pedido de Reflexão. Como dizia França Teixeira, “pimenta no zoi dos outros é Refresco ” kkkkk

  2. Já passou da hora de termos de volta o nosso clássico maior com a presença da torcida visitante. Mesmo que um piloto com apenas 10 % da carga de ingressos para o time visitante. Ontem teve Grenal, Ceará e Fortaleza, Vasco e Flu, SP e Palmeiras e ao que parece só aqui não tem a torcida visitante. Mesmo com a PM, como bem disse FM, com a PM baiana atuando com competência no maior carnaval do planeta. Enfim, coisa mais sem graça é BaVi com torcida única

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