No próximo domingo, a Copa do Mundo chegará ao fim. E, junto com ela, acaba aquele raro período em que o torcedor brasileiro se acostuma ao futebol jogado no mais alto nível. Durante um mês, nossos olhos passearam por estádios impecáveis, gramados que parecem tapetes, árbitros preparados, tecnologia funcionando e jogadores que fazem do impossível uma rotina.
É um futebol que encanta. Que nos faz lembrar por que esse esporte conquistou o planeta.
Mas a ressaca vem rápido…
Basta o apito final da decisão para voltarmos ao Campeonato Brasileiro. E a mudança de cenário é quase um choque. O gramado perfeito dá lugar a campos irregulares. A velocidade do jogo diminui. Os craques são exceção. Muitos dos melhores talentos já atravessaram o oceano, e quem ficou precisa carregar o peso de um campeonato longo, desgastante e, muitas vezes, mal organizado.
O espetáculo perde brilho…
A arbitragem, assunto quase esquecido durante boa parte da Copa, volta a ocupar mais espaço que os próprios jogadores. Toda rodada produz uma nova polêmica. O VAR, que deveria diminuir as discussões, frequentemente cria outras ainda maiores. O torcedor já liga a televisão preparado para reclamar antes mesmo da bola rolar.
É uma realidade difícil de ignorar…
E talvez a maior preocupação nem esteja dentro das quatro linhas. Enquanto o mundo mostra planejamento, profissionalismo e visão de longo prazo, o futebol brasileiro continua preso às disputas de poder. A CBF segue sendo notícia muito mais pelos bastidores do que pelo futebol. Mudam os personagens, permanecem as alianças, os interesses e a sensação de que a política continua comandando decisões que deveriam ser exclusivamente técnicas.
O reflexo aparece na Seleção Brasileira…
Durante décadas, o Brasil chegava às Copas como referência. Hoje entra cercado de dúvidas. Falta identidade. Falta continuidade. Falta um projeto capaz de resistir às trocas de comando e às conveniências políticas. Produzir jogadores nunca deixou de ser nossa especialidade. O problema é transformar talento em uma equipe forte, organizada e respeitada novamente.
A Copa sempre nos lembra onde o futebol pode chegar. O Brasileirão, infelizmente, costuma nos lembrar por que estamos ficando para trás.
Ainda assim, a partir desta quinta-feira, estaremos novamente diante da televisão, vestindo a camisa do nosso clube, discutindo escalações, comemorando vitórias e sofrendo com derrotas. Porque o torcedor brasileiro reclama, critica, protesta… mas nunca abandona o futebol.
Só fica a esperança de que, um dia, a distância entre o espetáculo que assistimos na Copa e a realidade que vivemos no nosso campeonato deixe de ser tão grande.
Flávio Gomes – Jornalista, colaborador do Em Cima do Lance e Editor de Esportes da Tribuna da Bahia















Respostas de 2
DSó quando as Bets e os empresários pararem de manipular a seleção.
Isso é a pura realidade ontem no amistoso do Bahia agente viu o quanto a arbitragem nos prejudica bola pra frente!