MÁRIO FREITAS: A Copa de 2026, mais um marco no mundo esportivo ou foi gafe?

A eliminação da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026 abriu espaço para reflexões sobre os erros, os acertos e os desafios que o futebol nacional terá pela frente até o Mundial de 2030. Com esse objetivo, a Tribuna da Bahia reúne profissionais que vivenciaram diferentes momentos da história do futebol para analisar o torneio e discutir os caminhos do esporte após mais uma campanha frustrante do Brasil.

Depois das análises do radialista Edson Marinho e do ex-empresário esportivo, Antônio Tillemont, a série chega ao experiente jornalista esportivo Mário Freitas. Com décadas dedicadas ao rádio, Marão acompanhou diversas Copas do Mundo, entrevistou Pelé e construiu uma trajetória marcada pela cobertura dos principais acontecimentos do futebol brasileiro. Nesta entrevista, ele faz um balanço da Copa de 2026, avalia o novo formato com 48 seleções, destaca as grandes surpresas do torneio e explica por que acredita que esta edição ficará marcada muito mais pelos acertos do que pelas críticas que cercaram sua realização.

TB: A Copa de 2026 entra para a história pelos acertos ou pelos erros?

MF: Entra para a história principalmente pelos acertos e pelas grandes surpresas que proporcionou. O melhor exemplo foi Cabo Verde, que mostrou um futebol competitivo e fez uma campanha acima das expectativas. Além disso, outras seleções africanas também tiveram um desempenho muito positivo, provando que o futebol está cada vez mais equilibrado e que países antes considerados coadjuvantes hoje podem competir em alto nível.

TB: O novo formato valorizou ou prejudicou a competição?

MF: No início eu tinha minhas dúvidas sobre o novo formato, mas, na prática, ele valorizou a competição. Fiquei realmente surpreso com o resultado. A Copa ganhou novas histórias, abriu espaço para seleções que dificilmente teriam essa oportunidade e, mesmo com mais participantes, conseguiu manter o interesse do público e o nível de competitividade.

TB: O aumento para 48 seleções elevou ou reduziu o nível técnico?

MF: De forma surpreendente, aumentou. Muitos imaginavam que haveria uma queda na qualidade dos jogos, mas aconteceu justamente o contrário. As seleções consideradas menores chegaram muito mais preparadas do que em outras edições e mostraram organização, disciplina tática e competitividade. Isso fez com que a Copa fosse ainda mais interessante.

TB: Como você compara essa Copa com as que acompanhou anteriormente?

MF: Foi uma das Copas mais competitivas que já acompanhei. Vi muitos resultados inesperados e partidas bastante equilibradas. Em outras edições havia um favoritismo muito maior das seleções tradicionais. Desta vez, qualquer descuido podia custar uma eliminação, e isso tornou o torneio muito mais emocionante do começo ao fim.

TB: O futebol apresentado correspondeu às expectativas?

MF: Sim. Os principais jogadores corresponderam e apresentaram um futebol de alto nível. As grandes estrelas assumiram protagonismo quando necessário e proporcionaram grandes jogos. Foi uma Copa tecnicamente muito boa, com partidas disputadas e atletas mostrando toda a qualidade que o torcedor esperava ver.

TB: A realização em três países ajudou ou tirou parte da identidade do torneio?

MF: Na minha opinião, isso foi independente. A Copa continua sendo Copa, independentemente de onde é realizada. O mais importante é o que acontece dentro de campo. A organização conseguiu fazer o torneio acontecer sem que essa divisão entre três países prejudicasse o espetáculo ou diminuísse o encanto que uma Copa do Mundo sempre proporciona.

TB: A eliminação do Brasil refletiu problemas antigos da Seleção?

MF: Sim. A eliminação mostrou que alguns problemas continuam presentes há bastante tempo. O futebol mundial evoluiu muito e hoje não existe mais espaço para depender apenas da tradição ou do talento individual. É preciso planejamento, organização e um trabalho sólido. O Brasil continua formando grandes jogadores, mas precisa transformar essa qualidade individual em um conjunto mais forte para voltar a disputar o título em igualdade com as principais seleções do mundo.

TB: Houve alguma seleção que representou a essência do futebol nesta Copa?

MF: A França. Foi a seleção que mais me encantou durante a competição. Jogou um futebol bonito, eficiente e objetivo, reunindo talento individual e força coletiva. Na minha avaliação, foi a equipe que melhor representou o que se espera de uma seleção de alto nível em uma Copa do Mundo.

TB: Qual foi o maior legado deixado pelo Mundial de 2026?

MF: O maior legado foi mostrar, mais uma vez, que futebol se ganha dentro de campo. Não basta ter camisa pesada, tradição ou jogadores famosos. É preciso jogar bem, competir e merecer cada vitória. Essa Copa reforçou que o nome não entra em campo e que o favoritismo precisa ser confirmado a cada partida.

TB: Se pudesse mudar apenas um aspecto dessa Copa, qual seria?

MF: Hoje, sinceramente, mudaria muito pouco. Antes da competição eu era contra o aumento para 48 seleções, mas a Copa mudou completamente a minha opinião. Depois do que vi, acredito até que, no futuro, o torneio possa comportar 56 equipes. Países tradicionais, como Itália, Dinamarca e Hungria, ficaram fora desta edição. Isso mostra que há espaço para ampliar ainda mais a participação sem comprometer a qualidade do campeonato. Acho que a experiência foi bastante positiva.

Foto Adileuza Barreto – Criativa On Line

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